Inter-relação agente-hospedeiro-ambiente
Antes de iniciarmos nossa conversa vamos primeiro entender o que são estas duas palavras e qual é a relação entre elas.
Sinantrópicos, já tivemos uma postagem sobre isto, mas só para lembrar são aqueles organismos que vivem conosco, mas sem nossa própria vontade como ratos, aranhas, escorpiões, mosquitos, baratas e tantos outros.

O Dr. Mateus Henrique Dias, Guimarães, 2025 publicou um trabalho que fala sobre o que é saúde pública e saúde coletiva dizendo que são pilares fundamentais para a organização e o bem-estar de qualquer sociedade. https://rsv.ojsbr.com/rsv/article/view/4230
A saúde pública pode ser entendida como o conjunto de políticas e ações sistemáticas destinadas a promover a saúde da população, prevenindo doenças, garantindo o acesso à saúde e promovendo condições de vida mais saudáveis. (idem)

A saúde comunitária é uma abordagem interdisciplinar que foca na melhoria do bem-estar físico e mental de grupos populacionais específicos, atuando nos determinantes sociais como ambiente, estrutura social e acesso a recursos. Diferencia-se da saúde pública tradicional por focar ativamente na participação da comunidade e na prevenção primária. (idem)
AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE são profissionais fundamentais que intermedeiam a relação entre a comunidade e os serviços de saúde, essenciais na mobilização de campanhas e no trabalho diário. (idem)
Os órgãos oficiais de saúde e trabalhos tem sido publicados como esta teve, no Brasil, seu início estruturado com o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) no início da década de 1990, oficializado em 1991, focando inicialmente na região Nordeste para combater a mortalidade materno-infantil.
Mas não foi exatamente assim. A Saúde Comunitária no Brasil iniciou na Unidade Sanitária São José do Murialdo na rua Vidal de Negreiros número 443, bairro Partenon, Porto Alegre, RS em 1976. Quando lá entrei, em 1977, esta unidade de saúde era dirigida pelo Dr. Ellis Alindo D’Arrigo Busnelo. Lá tembém foram criados os Agentes Comunitários de Saúde. Entrei como Médico Veterinário dentro das equipes multidisciplinares e interdisciplinbares denominadas Equipes Primárias de Saúde.
Esta é a verdadeira história da origem da MEDICINA COMUNITÁRIA no Brasil, e não como dizem os documentos legais que foi no Nordeste na década de 90. Depois foi dando forma a outras maneiras de atender a população Programa de Saúde da Família, Medicina Coletiva, Saúde da Família, Atenção Primária, Medicina Social, Medicina da Família e tantos outros.
A SAÚDE COLETIVA tem sua base histórica na medicina social da França, Inglaterra e Alemanha, configurando-se como campo científico e um âmbito de práticas de caráter interdisciplinar no Brasil, ou seja, é um termo especificamente brasileiro, que emergiu desde 1979 influenciado pelos preceitos da Reforma Sanitária Brasileira (RSB), constituindo conceito, configuração, movimento político e científico no País. https://www.scielo.br/j/sdeb/a/zbwCYXBKPfFdDJRfv4XTRJM/?lang=pt
Saúde coletiva é um campo do conhecimento e de atuação que estuda e intervém nas condições de saúde das populações, considerando fatores sociais, econômicos, culturais e ambientais. Diferente da Medicina Tradicional, que foca no cuidado individual, a saúde coletiva se concentra no bem-estar coletivo e na prevenção de doenças em larga escala.https://www.univates.br/blog/o-que-e-saude-coletiva/

A área busca entender como o contexto em que as pessoas vivem (como moradia, trabalho, acesso à educação, alimentação e saneamento básico) afeta diretamente sua saúde. Além disso, propõe políticas públicas e ações integradas que possam melhorar a qualidade de vida da população como um todo. (idem).
Na prática, isso significa criar e implementar programas de vacinação, campanhas de conscientização sobre doenças transmissíveis, estratégias de controle ambiental e promoção da saúde em escolas, comunidades e ambientes de trabalho. Ou seja, é um esforço coletivo que envolve diferentes setores da sociedade, como governos, universidades, organizações sociais e até os próprios cidadãos. (idem)
A saúde coletiva é essencial para garantir que o acesso à saúde seja um direito de todos, e não um privilégio de poucos. (idem)
Saúde e qualidade de vida são dois temas relacionados. Isto é, a saúde contribui para melhorar a qualidade de vida e esta é fundamental para que um indivíduo ou comunidade tenha saúde.
QUALIDADE DE VIDA serve para medir as condições da vida de um ser humano. Envolve o bem físico, mental, psicológico e emocional, além de relacionamentos sociais com a família e amigos e também a saúde, educação, e outras circunstâncias da vida. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/260_qualidade_de_vida.html
Qualidade de Vida é mais do que ter uma boa saúde física ou mental. É estar de bem com você mesmo, com a vida, com as pessoas queridas e com todos ao seu redor, enfim, estar em equilíbrio. Esse equilíbrio diz respeito ao controle de sua vida e dos acontecimentos à sua volta. (idem)

Fato fundamental na melhoria da qualidade de vida é a pessoa ou comunidade estar em perfeito estado de saúde para que possa desenvolver todas as outras atividades que vão proporcionar uma melhor qualidade de vida.
Mas o que ter SAÚDE, como definir este item fundamental à vida. Tem-se tentado defini-la de várias formas e não temos uma única definição ou apenas uma forma de definir o que é estar com saúde.
Segundo a OMS SAÚDE é um estado de completo bem estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade.
A definição de saúde não é apenas uma questão teórica, pois tem muitas implicações para a prática, as políticas públicas e os serviços de saúde. A definição atual de saúde, formulada pela OMS, já não é adequada para lidar com os novos desafios dos sistemas de saúde. https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/0020731418782653
Apesar das muitas tentativas de substituí-la, nenhuma definição alternativa alcançou um amplo consenso. Adotando uma perspectiva epistemológica, a necessidade de uma definição única deve ser rejeitada em favor de uma abordagem plural, na qual não pode existir a melhor definição de saúde, mas sim várias definições diferentes, mais ou menos úteis dependendo do escopo de aplicação. (idem)
As objeções comuns, por exemplo, acusando a definição da OMS de utopismo e extrapolamento, baseiam-se numa suposição implícita de que “completo” é um termo quantitativo. Em outras palavras, os críticos presumem que a expressão significa que saúde é um estado de bem-estar no seu mais alto grau. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10849326/#CIT0022

O autor chama essa interpretação de SAÚDE PERFEITA. Assim, os críticos alegam que a OMS identifica saúde com o mais alto grau de bem-estar, isto é, com o bem-estar perfeito ou — em termos menos técnicos — com a felicidade. (idem)
Fig. smetal.org.br/imprensa/minha-saude-meu-direito-e-tema-do-dia-mundial-da-saude/↗
No entanto, o termo completo” também pode ter um significado qualitativo. Quando dizemos que algo é um exemplar completo de sua espécie, queremos dizer que possui todas as características que o constituem. Por exemplo, um jantar completo é aquele que contém uma entrada, um prato principal e uma sobremesa. (idem)
Assim, o bem-estar completo pode ser entendido como um estado que abrange todas as características constitutivas do bem-estar. Estas são, segundo a OMS, os aspectos físicos, mentais e sociais. O autor chama isso de saúde holística. A OMS endossa uma visão holística da saúde, e não uma visão perfeccionista. (idem)
A “Uma Só Saúde” também conhecida como “Saúde Única”, é a tradução do termo em inglês “One Health”, que se refere a uma abordagem integrada que reconhece a conexão entre a saúde humana, animal, vegetal e ambiental. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/u/uma-so-saude

institutolibio.org.br/o-papel-da-educacao-ambiental-na-saude-unica/↗
A abordagem de Uma Só Saúde propõe e incentiva a comunicação, cooperação, coordenação e colaboração entre diferentes disciplinas, profissionais, instituições e setores para fornecer soluções de maneira mais abrangente e efetiva. (idem)
A implementação dessa abordagem favorece a cooperação, desde o nível local até o nível global, para enfrentar desafios emergentes e reemergentes, como pandemias, resistência antimicrobiana, mudanças climáticas e outras ameaças à saúde. (idem)
Assim, a abordagem de Uma Só Saúde transcende fronteiras disciplinares, setoriais e geográficas, buscando soluções sustentáveis e integradas para promover a saúde dos seres humanos, animais domésticos e silvestres, vegetais e o ambiente mais amplo (incluindo ecossistemas). (idem)
Uma Só Saúde (ou também Saúde Única) Trata-se de uma abordagem que demanda “os esforços colaborativos de múltiplas disciplinas que trabalham local, nacional e globalmente, para alcançar a saúde ideal para as pessoas, animais e nosso meio ambiente”, conforme definido pela Força-Tarefa da One Health Initiative (OHITF). https://pt.wikipedia.org/wiki/Uma_S%C3%B3_Sa%C3%BAde

Surgiu em resposta às evidências da propagação de DOENÇAS ZOONÓTICAS entre espécies e à crescente percepção da interdependência entre a saúde humana e animal, juntamente com as mudanças ecológicas. (Idem)
Sob essa perspectiva, a saúde pública não se restringe mais apenas aos seres humanos. Devido ao ambiente compartilhado e à fisiologia altamente conservada, animais e humanos não apenas enfrentam as mesmas doenças zoonóticas, mas também podem ser tratados com drogas estruturalmente relacionadas ou idênticas. (idem)
Portanto, é crucial evitar o tratamento desnecessário ou excessivo de doenças zoonóticas, especialmente considerando a resistência a medicamentos em micróbios infecciosos. (Idem)
Várias organizações em todo o mundo apoiam os objetivos da Uma Só Saúde, incluindo a Secretaria de Vigilância em Saúde Ambiental (MS), Centros de Controle e Prevenção de Doenças (USA), a Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas, a Organização Mundial da Saúde, a Organização Mundial de Saúde Animal, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente entre outros órgãos. (Idem)

A maior parte das devastadoras epidemias que já atingiram os humanos teve origem em animais. E o curioso é que pouco se sabe sobre os padrões globais de transmissão dessas doenças, o que dificulta a identificação das zonas de risco e faz com que surtos deste tipo sejam imprevisíveis. Fonte: Ver pesquisa completa
Entender como os animais estão distribuídos no mundo e por que isso acontece pode não parecer ser aplicável a nossas vidas do dia a dia. Mas prever onde a próxima doença zoonótica pode emergir depende exatamente desse tipo de conhecimento científico. (idem)
A pesquisa revelou que morcegos carregam muito menos doenças zoonóticas (25) do que roedores (85), carnívoros (83), primatas (61) e mamíferos com cascos (59). (idem)

Tem havido novos casos de raiva humana na Amazônia por morcegos, mesmo que no restante do país os registros tenham diminuído. (idem)
Outro dado da pesquisa é que mais de 10% das espécies de roedores (244, de um total de 2.220) são hospedeiras de zoonoses e transportam 85 doenças. E, embora existam menos espécies de primatas, uma maior proporção deles, 21%, é composta por hospedeiros zoonóticos (77 de 365). (idem)
Uma proporção maior de espécies que vivem em latitudes setentrionais, como o Círculo Ártico, transportam zoonoses. Compreender as implicações deste padrão, tendo em conta as tendências de aquecimento do clima, será uma importante linha de investigação que deve ser abordada o mais cedo possível.(idem)

É preciso perceber que a atividade do homem influencia muito o comportamento e distribuição de mamíferos. Os grandes focos de peste na Rússia, por exemplo, foram produzidos por ratos, mas em consequência da atividade humana: as plantações de trigo atraíam os roedores e, depois que o trigo era colhido e não havia mais comida para os roedores, eles passaram a atacar os humanos. (idem)
A Carta das Nações Unidas diz que estar em boa saúde é um dos direitos fundamentais do ser humano, sem distinção de raça, religião, ideologia, política ou condição econômica e social. Fonte: Ver pesquisa completa.
Perkins, 1938 diz que Saúde é um estado de relativo equilíbrio, da forma e função do organismo, resultante do seu ajustamento dinâmico e satisfatório, às forças que tendem perturba-lo. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/periodicos/boletim_saude_v17n1.pdf
Quanto a este conceito não podemos esperar a existência de uma condição estável de saúde ou de doença, mas de uma luta permanente entre o organismo, o hospedeiro e as forças ou estímulos, de natureza variada, que tentam romper o equilíbrio estabelecido ao nível que corresponde ao seu gráu de saúde. (idem)

Torna-se, pois, indispensável à identificação das causas e a descoberta do modo como participam do processo doença, para que se torne possível uma ação efetiva, capaz de antagonizá-las e, por conseguinte, prevenir seus efeitos. Fonte: Cad. Saúde Pública 11 (1) • Mar 1995
Prevenção em saúde pública é a ação antecipada com base no conhecimento da história natural, tendo por objetivo interceptar ou anular a evolução de uma doença. “Prevenir é prever antes que algo aconteça ou mesmo, cuidar para que não aconteça” Fonte: Maria Zelia Rouquaryol, Epidemiologia & Saúde, Fortaleza, 1983. 327 pp
Ao se estudar as razões pelas quais determinadas doenças atingem uma população é fundamental identificar a história natural das doenças que são as inter-relações dinâmicas entre o agente, o doente, o susceptível, suas condições intrínsecas, o ambiente e as condições sócio-econômico-culturais que afetam o processo saúde-doença. Fonte: Leavel, H & Clark, E.G. medicina Preventiva. São Paulo, Mcgraw Hill, 1976. 744 pp
O conhecimento destes fatores torna a prevenção possível na medida em que se removem fatores responsáveis pela doença.
Um dos importantes instrumentos usados em saúde pública para identifica fatores geradores de um problema é a VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA.
Que é o conjunto de procedimentos permanentes por meio do qual tomamos conhecimento dos eventos relacionados com a presença de doenças em determinada área geográfica tendo como propósito básico a obtenção contínua de conhecimentos sobre os componentes envolvidos com a ocorrência delas, visando oferecer elementos de apoio aos programas de prevenção, tanto a nível de combate como erradicação destas, quando possível. Fonte: Ver pesquisa completa

- Obter informações acerca de doenças segundo a área geográfica, o tempo e os agentes responsáveis.
- Recursos disponíveis para seu controle, fatores ambientais relevantes, tanto de natureza física como biológica e sócio-econômico-cultural.
- Processar as informações obtidas como registro, análise, organização, interpretação e publicação dos resultados gerando novos conhecimento pertinente à realidade existente.
- Dentre as características especiais do ambiente que interferem no padrão de saúde da população estão os fatores biológicos, físicos e químicos.
- https://sanarmed.com/vigilancia-epidemiologica-e-notificacao-compulsoria/
- http://vigilancia.saude.mg.gov.br/index.php/vigilancia-epidemiologica/
Em relação aos fatores de perigo biológico para a saúde humana estão os vetores, agressores e reservatórios (sinantrópicos) responsáveis pela transmissão de doenças e agravos à saúde.
As doenças transmitidas por sinantrópicos vão além da simples relação entre agente e hospedeiro. Tem os aspectos relacionados ao agente, sinantrópicos, susceptível e o ambiente onde se relacionam.
A prevenção está em remover fatores capazes de criar uma condição inadequada ao equilíbrio saúde-doença.
Apenas o uso de químicos sem considerar os demais aspectos não resolverá o problema, principalmente quando medidas são tomadas apenas no momento da crise.
Vemos aqui em toda esta conceituação que existem três fatores fundamentais que são o hospedeiro, o ambiente e o agente etiológico.
Uma pessoa ou animal vivo, incluindo aves e insetos, que abriga ou subsiste a um agente infeccioso em condições naturais, necessitando do hospedeiro para sobreviver, e em muitos casos, para se multiplicar, quando o agente sai do hospedeiro e infecta outro indivíduo, o hospedeiro original passa a ser uma fonte de infecção.
Hospedeiro definitivo: é o que apresenta o parasito em sua fase de maturidade ou em fase de reprodução sexuada. Ex.: o hospedeiro definitivo do Plasmodium é o Anopheles; os hospedeiros definitivos do S. mansoni são os humanos. https://www.parasitologia.org.br/conteudo/view?ID_CONTEUDO=421
Hospedeiro intermediário: é aquele que apresenta o parasito em sua fase larvária ou assexuada. Ex.: o caramujo é o hospedeiro intermediário do S. mansoni. (idem)

Hospedeiro paratênico ou de transporte: é o hospedeiro intermediário no qual o parasito não sofre desenvolvimento ou reprodução, mas permanece viável até atingir novo hospedeiro definitivo.
Ex.: peixes maiores, que ingerem peixes menores contendo larvas plerocercóides de Diphyllobotrium spp, que simplesmente transportam essas larvas até que os humanos as ingiram (comer peixe cru). (idem)
Alguns protozoários e helmintos passam fases sucessivas em hospedeiros alternados, de diferentes espécies.
O homem poderá tanto funcionar como hospedeiro intermediário como definitivo dependendo da enfermidade. Por exemplo, na teníase-cisticercose, o homem é HD com a tênia e HI com a larva encistada (cisticerco).
Ser suscetível a doenças significa ter maior probabilidade de contrair infecções ou desenvolver enfermidades devido à falta de imunidade, resistência reduzida ou fatores de risco, como genética, idade (idosos) e comorbidades. Um hospedeiro suscetível é um indivíduo biologicamente vulnerável, tornando-se alvo mais fácil para patógenos quando exposto, essencial na compreensão da história natural da doença.
Se o agente etiológico for um ser vivo, o suscetível pode se denominar hospedeiro. A suscetibilidade tem a ver com fatores genéticos, sócio-econômico-cultural, idade, sexo, cor da pele, etc.
Em relação ao hospedeiro temos que analisar que fatores estão relacionados a ele e que necessitam serem analisados para ver sua relação com o sinantrópico e a enfermidade e assim poder controlar a situação:
- Combate ao sinantrópico
- Problema social
- Questão educativa
- Diagnóstico diferencial e exames laboratoriais
- Proximidade de focos
- Saneamento
- Conhecimento dos problemas
- Cuidados com o peridomicílio
- Movimentos comunitários
- Busca por atendimento médico
- Identificação de focos
- Controle focal, perifocal e ambiental
- Uso de inseticidas adequados
- Uso de equipamentos adequados
- Vigilância entomológica, epidemiológica e virológica permanente
- Ecologia do vetor
- Educação para a saúde
- Polícia sanitária
- Programas de combate permanente
- Influência do clima

O ambiente é o conjunto de todos os fatores que mantem relações interativas com o agente etiológico, o susceptível e o sinantrópico, incluindo o meio físico, biológico, químico e social que favorecem ou não as condições de vida, manutenção biológica e transmissibilidade de todos os envolvidos na presença ou não de doença.
Este ambiente poderá oferecer condições de manutenção de determinado sinantrópico de forma a que possa transmitir agentes patogênicos ou agressões.
Como umidade, temperatura, pluviosidade, radiações, latitude, longitude, relevo, composição do solo, coleções de água, ventos, etc. são fatores que influenciam as condições de saúde da população, do agente e do sinantrópico.
Exemplo marcantes são dados por doenças transmitidas por vetores onde a existência do vetor e do agente no seu organismo depende do comportamento de quase todos os fatores acima relacionados.

As mudanças climáticas — combinadas com fatores antrópicos (ação humana) como urbanização deficiente e mobilidade global — potencializam esses fatores físicos, permitindo a expansão geográfica e o aumento sazonal de surtos de doenças. Fonte: Ver pesquisa completa
Os fatores físicos ambientais que sustentam e propagam doenças causadas por vetores (como dengue, malária, Zika, chikungunya e leishmaniose) estão intrinsecamente ligados ao clima, influenciando o ciclo de vida, a reprodução e a sobrevivência dos vetores, que são geralmente artrópodes ectotérmicos (insetos que dependem do calor ambiental). Fonte: Ver pesquisa completa.
Temperatura Elevada: É um dos fatores mais críticos. Temperaturas mais altas aceleram o ciclo reprodutivo dos mosquitos, encurtam o tempo de desenvolvimento das larvas e reduzem o período de incubação do patógeno (vírus ou parasita) dentro do vetor, acelerando a transmissão. Temperaturas entre 6°C e 40°C geralmente permitem a sobrevivência dos vetores, sendo a faixa de 18°C a 31°C ideal para mosquitos da dengue. Fonte: Ver pesquisa completa.
Precipitação (Chuvas): O aumento da pluviosidade cria locais com água parada, essenciais para a reprodução de mosquitos, como o Aedes aegypti e Anopheles. Inundações podem aumentar a abundância de vetores, enquanto secas prolongadas também podem favorecer doenças, forçando as pessoas a armazenar água de forma inadequada, gerando criadouros. (Idem)
Umidade Relativa do Ar: Níveis elevados de umidade previnem a dessecação dos vetores, aumentando sua taxa de sobrevivência e atividades de picada. (Idem)

Uso e Cobertura do Solo: Alterações ambientais, como desmatamento, urbanização acelerada e desordenada, mineração e mudanças na agricultura, alteram os habitats naturais, muitas vezes aproximando os vetores dos seres humanos. (Idem)
Altitude: A temperatura mais baixa em altitudes elevadas historicamente limitava a presença de vetores. No entanto, o aquecimento global tem permitido que vetores, como o Aedes e Anopheles, se adaptem e expandam para áreas mais altas e latitudes anteriormente frias. (Idem)
Além dos exemplos clássicos fornecidos pela malária, filariose e arboviroses é interessante lembrar a ausência da tripanossomíase africana (doença do sono); não só fontes de infecção como as moscas tsé-tsé, foram introduzidas no Brasil, mas a doença não existe pois o vetor não encontrou condições do meio favoráveis à sua instalação.
Vale lembrar que muitos vetores se adaptam às variações do estado físico do ambiente se mantendo em épocas não comuns. É o caso do borrachudo (Simulídeos), que hoje, no RS, agride o homem durante o ano todo e em diferentes horários.

É o caso do Aedes aegypti que se desenvolve em águas poluídas e não apenas em águas limpas. O que levou o MS demorar para seu combate pois informava que o vetor se desenvolvia apenas em águas limpas enquanto estava se desenvolvendo também em águas suja ou contaminada, como esgotos, fossas, bocas de lobo e água com matéria orgânica.
Os fatores químicos ambientais desempenham um papel crucial, tanto na promoção quanto na inibição, da presença de vetores (mosquitos, carrapatos, roedores) e, consequentemente, na transmissão de doenças como dengue, malária, leishmaniose e doença de Lyme. A contaminação do ar, água e solo devido a atividades humanas (antropogênicas) altera os ecossistemas, criando ambientes propícios para a reprodução desses vetores. Fonte: Ver pesquisa completa
O descarte de resíduos industriais e orgânicos em corpos d’água pode aumentar a quantidade de nutrientes (eutrofização), favorecendo a proliferação de larvas de mosquitos e a sobrevivência de microrganismos patogênicos. (Idem)
A poluição atmosférica leva ao aumento da temperatura global, o que acelera o ciclo de vida dos vetores (reprodução mais rápida) e aumenta a taxa de picadas, resultando em mais doenças como dengue e malária. (Idem)
O acúmulo de lixo orgânico e efluentes industriais descaracteriza o ecossistema, permitindo que sinantrópicos (que vivem próximos a humanos), como ratos, proliferem, aumentando casos de leptospirose. (Idem)
São tão importantes quanto os físicos, químicos e biológicos no condicionamento da saúde ou doença.
O desenvolvimento de doenças transmitidas por animais sinantrópicos — aqueles que convivem com o ser humano sem serem domesticados, como ratos, pombos, mosquitos, baratas e morcegos — é intensamente influenciado por fatores socioeconômicos e culturais. A precarização do ambiente urbano, a falta de saneamento básico e hábitos culturais de higiene são determinantes cruciais. Fonte: ver pesquisa completa

A ausência de coleta de lixo, rede de esgoto e abastecimento de água potável cria um ambiente ideal para a proliferação de sinantrópicos como ratos (transmissores de leptospirose) e baratas. O manejo inadequado de resíduos sólidos (lixo) é um fator direto na disponibilidade de alimentos e abrigo. (idem)
Moradias em áreas de risco (encostas, próximo a córregos) e a alta densidade populacional em áreas periféricas facilitam a transmissão de zoonoses, pois aumentam o contato humano com vetores. (Idem)
Hábitos de higiene doméstica e a falta de educação em saúde sobre o armazenamento correto de alimentos e o acondicionamento de lixo favorecem a atração de vetores. A conscientização da população é fundamental para o controle desses animais, que são “convidados” pelo homem através da disponibilidade de água, abrigo e alimento. (Idem)
O rápido crescimento das cidades sem planejamento ambiental altera ecossistemas, eliminando predadores naturais e oferecendo nichos artificiais para espécies sinantrópicas, resultando no aumento de arboviroses (dengue, chikungunya). (Idem)
Os fatores biológicos que influenciam a relação entre animais sinantrópicos (aqueles que vivem próximos ao ser humano, como ratos, baratas, pombos e mosquitos) e agentes etiológicos (bactérias, vírus, parasitas) envolvem, primordialmente, características evolutivas e ecológicas que facilitam a transmissão de zoonoses.
Sinantrópicos possuem grande flexibilidade biológica, permitindo-lhes prosperar em ambientes modificados pelo homem (zonas urbanas), com dieta variada e resistência a mudanças ambientais.
Por outro lado as características da flora que provem condições de sobrevida a elementos da cadeia de transmissão como a flora onde algumas espécies mantêm água no seu interior (bromélias) permitindo o desenvolvimento larval de mosquitos.
É a vegetação rasteira que permite a localização de carrapatos facilitando seu deslocamento para animais onde se instala como parasita ou vetor (febre maculosa).
Muitas espécies, como roedores e baratas, possuem ciclos reprodutivos rápidos e curtos, resultando em infestações rápidas e maior densidade populacional, o que aumenta a probabilidade de contato com agentes patogênicos.

Exemplos marcantes são dados pelo processo de urbanização, pelas atividades agropastoris, pelas obras que alteram o sistema hidrográfico e a topografia, com consequencias favoráveis, ou, em certos casos, desfavoráveis, para a saúde do homem.
O hábito noturno, a onivoria (comer de tudo) e a busca por abrigo em frestas ou estruturas humanas favorecem a interação íntima entre sinantrópicos e humanos. Alguns sinantrópicos desenvolveram resistência a doenças que carregam, tornando-se hospedeiros eficientes a longo prazo.
Os seguintes fatores tem que ser identificados como possíveis de serem responsáveis pela presença, manutenção e permanência do vetor/reservatório, do hospedeiro e do agente:
1. Temperatura
2. Chuvas
3. Aumento do número de focos
4. Repasto sanguíneo
5. Densidade populacional
6. Aumento da viremia
7. Aumento da capacidade de transmissão
8. Longevidade do agente etiológico dentro do vetor
9. Tempo que o vetor tem para transmitir depois de infectado
10. Presença de infectados
Esses fatores, combinados com a disponibilidade de abrigo, água e alimento em áreas humanas, seja no ambiente urbano como rural, criam um ambiente propício para a manutenção e disseminação de enfermidades.
Etiologia é um substantivo grego que significa o estudo das causas. Não é específica de uma determinada ciência mas está presente na Biologia, Criminologia, Medicina, Psicologia por possuírem em seu campo de atuação a busca das causas que deram origem ao seu objeto de estudo. É uma espécie de ciência das causas. O conceito abrange toda a pesquisa que busca as causas de determinado objeto ou conhecimento.
Nas ciências que tem como objeto de estudo as doenças a etiologia se preocupa com as causas destas doenças: os agentes ou fatores causais de doença, a sua proveniência endógena ou exógena, o papel que desempenham na causalidade multifatorial das doenças e o seu potencial agressivo ou virulência.
Neste sentido derivou o adjetivo etiológico, agente etiológico, como sendo aquele que é o fator responsável por causar uma doença, agravo ou lesão. Alguns agentes etiológicos são de natureza inanimada tais como: as radiações, os poluentes químicos do ar, da água, do solo, dos alimentos, drogas usadas como remédios ou por vício, álcool, fumo, aditivos químicos dos alimentos e inseticidas entre outros.
O agente etiológico é o organismo ou fator responsável por causar diretamente uma doença, desencadeando sinais e sintomas no hospedeiro. Também chamado de agente causador ou patógeno, pode incluir vírus, bactérias, fungos, protozoários, helmintos (vermes) ou agentes físicos/químicos. Fonte: Ver pesquisa completa
Um escorpião ou uma aranha, ao causar um acidente peçonhento (envenenamento), pode ser considerado o agente etiológico (ou agente causador) do agravo, mesmo que não transmita doenças infecciosas como vírus ou bactérias. Embora não causem uma “infecção” (doença infecciosa), esses aracnídeos produzem um “agravo à saúde” (envenenamento ou acidente peçonhento), que pode ser leve, moderado ou grave. O veneno injetado contém moléculas, como peptídeos neurotóxicos, que causam reações imediatas (dor, sudorese, arritmias), agindo diretamente nas funções vitais do hospedeiro. Fonte: Ver pesquisa completa.

Tecnicamente, mosquitos além de vetores podem ser considerados agentes etiológicos de uma reação alergica embora não seja o agente causador de uma infecção (como vírus ou bactérias). Na medicina, um agente etiológico é qualquer fator (biológico, físico ou químico) capaz de iniciar uma doença ou condição patológica. No caso de alergias severas à picada de mosquito, os componentes da saliva do inseto agem como os agentes etiológicos que desencadeiam a resposta imune. Fonte: Ver pesquisa completa.
As proteínas e enzimas presentes na saliva do mosquito são o “agente” que provoca a reação alérgica (hipersensibilidade) em pessoas suscetíveis. Diferente de Dengue ou Zika, a reação alérgica (prurigo estrófulo) é uma reação do sistema imunológico a um agente externo, não uma replicação de um vírus ou bactéria dentro do hospedeiro. (Idem)
A picada inocula substâncias que, em pessoas alérgicas, ativam mastócitos e liberam histamina, causando inchaço, coceira intensa, vermelhidão e, por vezes, bolhas (prurigo estrófulo). Embora não transmita doença infecciosa, a picada pode causar uma “lesão” física e alérgica severa, muitas vezes tratada com antialérgicos ou corticoides.

Portanto, para o quadro clínico de alergia, o mosquito é o agente etiológico (biológico) daquela inflamação, mesmo que não seja vetor de doenças infecciosas.
Nas doenças transmissíveis e zoonoses, estes agentes são seres vivos. Na sua luta pela sobrevivência, organismos vivos parasitam outros organismos vivos, espoliando-os e produzindo enfermidades.

Pertencem a esta categoria os virus, riquétsias, bactérias, fungos, protozoários, helmintos e outros mais, são seres vivos de vida parasitária obrigatória ou não.
É possível enquadrar nesta categoria alguns animais de vida parasitária exclusiva ou não como pulgas, carrapatos, simulídeos, mosquitos fêmeas que precisam de sangue após sua fecundação pois mesmo não transmitindo algum agente no momento da espoliação estão causando danos.
Neste sentido poderíamos dizer que estes insetos e aracnídeos estão, neste momento funcionando não como um vetor, mas como um agente etiológico.
Nas doenças transmissíveis, a compreensão deste fenômeno está na dependência do conhecimento das respostas para as seguintes questões:
– O que?
– De onde?
– Para onde?
– Por que meios?
Em que pese ser a doença um processo multicasual, para o qual concorrem inúmeros fatores, no caso particular das doenças transmissíveis, a presença ou ausência do agente específico configura-se como condição fundamental para a manifestação da doença, pois se a presença dele nem sempre é suficiente para o estabelecimento da doença, essa não ocorre sem a sua participação.
Neste caso o agente é um determinante indispensável mas não necessariamente suficiente para o desenvolvimento da doença infecciosa.
Sob o ponto de vista epidemiológico as propriedades dos bioagentes que mais importam são as que regem sua relação com o hospedeiro e as que contribuem para o aparecimento de doença como produto desta relação bem como as condições de sobrevivência na natureza: Fonte: Ver pesquisa completa
1. INFECTIVIDADE: É a capacidade do agente de causar infecção, ou seja, de invadir, instalar-se e multiplicar-se nos tecidos do indivíduo. Seu conhecimento permite prever a intensidade de propagação da doença na população. (Idem)
2. PATOGENICIDADE: É a capacidade do agente em desenvolver efeitos maléficos, isto é, agravos, ao organismo hospedeiro. É identificada pela frequência da manifestação na população e definida como um número. (Idem)
3. VIRULÊNCIA: Corresponde à intensidade da manifestação clínica da doença, traduzida pelo gráu de severidade do agravo ou dano acarretado ao hospedeiro. (Idem)
4. CAPACIDADE IMUNOGÊNICA: É representada pelo potencial do agente em provocar, no hospedeiro, um estímulo imunitário específico. (Idem)
5. RESISTÊNCIA: É a habilidade do agente em superar as adversidades do ambiente, especificamente as influências deletérias do meio quando na ausência do parasitismo, isto é, fora do organismo do hospedeiro mas também a resistência do agente aos fatores de defesa orgânico.
6. PERSISTÊNCIA: reflete a capacidade de um agente, uma vez introduzido numa população, permanecer por tempo prolongado ou indefinidamente. É uma característica estreitamente relacionada ás demais citadas anteriormente.
O que devemos observar em relação ao agente etiológico?
1. Se sobrevive fora do hospedeiro
2. Fontes de contaminação
3. Mecanismo de transmissão
4. Infectividade
5. Virulência
6. Patogenicidade
7. Longevidade
8. Persistência
9. Resistência
10. Capacidade antigênica
